Implantodontia

Parte 2 – A biomecânica na longevidade das reabilitações com implantes dentais

A biomecânica implantodôntica pode ser dividida em biomecânica intrínseca e biomecânica extrínseca.

Biomecânica implantodôntica adequada

A biomecânica implantodôntica pode ser dividida em biomecânica intrínseca e biomecânica extrínseca. Além isso, a biomecânica estará adequada quando tanto a intrínseca quanto a extrínseca estiverem equilibradas com o sistema, também equilibrado.

Entenda-se por sistema o paciente na sua totalidade.

Figura 1 – Representação esquemática da biomecânica adequada.

As biomecânicas intrínseca e extrínseca estarão equilibradas se, quando em conjunto, forem capazes de receber e dissipar as forças mastigatórias até a sua neutralização, sem prejuízo para a prótese, seus componentes, o implante ou os tecidos. O equilíbrio do paciente, por sua vez, requer estado de normalidade sem desvios somáticos ou psicológicos.

Biomecânica intrínseca

A biomecânica intrínseca é formada pelo Complexo de Sustentação e pela Natureza da Mastigação.

Complexo de sustentação

O complexo de sustentação é composto pelo osso e pelo implante.

O osso

Dois tipos ósseos são utilizados para alojar os implantes: o alveolar e o basal. O osso alveolar tem a função de sustentar o elemento dental, enquanto que o basal dá suporte aos músculos, mantendo a arquitetura crânio facial. Na perda do dente, o osso alveolar deixa de receber estímulos e sofre uma atrofia por desuso. Essa atrofia pode ser volumétrica, densitométrica ou ambos, podendo implicar na resistência do complexo de sustentação. Alturas e/ou volumes ósseos menores impedem a colocação de implantes mais longos e/ou mais largos. Densidades ósseas menores oferecem menor resistência mecânica.

Anatomicamente, os ossos maxilares são constituídos por osso cortical e osso medular ou esponjoso. O osso cortical se caracteriza por possuir maior quantidade mineral e menor vascularização; o medular, ao contrário, é caracterizado por possuir uma menor quantidade mineral e uma maior vascularização. Enquanto o osso cortical propicia melhor ancoragem ao implante, o esponjoso é mais facilmente remodelado (Figura 2).

Figura 2 – Osso cortical e esponjoso encontrado nos sítios implantados.

Lekholm e Zarb, em 1985, propuseram uma classificação óssea quantitativa e qualitativa usada habitualmente. Qualitativamente, o osso foi classificado de “1” a “4”, sendo o tipo “1” o que apresenta predominância de osso de maior densidade mineral e o “4” o que apresenta predominância de osso de menor densidade mineral (Figura 3); quantitativamente, os ossos maxilares são divididos em “A” a “E”. O osso do tipo “A” é o que possui a maior proximidade com o seu volume original, e o “E”, a menor proximidade (Figura 4).

Figura 3 – Classificação qualitativa dos ossos maxilares.
Figura 4 – Classificação quantitativa dos ossos maxilares. A linha pontilhada delimita o osso cortical do basal.

Qualidade e quantidade óssea são, em conjunto, fatores determinantes para a obtenção da melhor resistência mecânica.

Adolfo Embacher Filho
Especialista Master em Implantologia e Prótese Dental. Doutor em Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial. Mentor do Sistema Colosso de Implantes Osseointegráveis. Executou ou orientou mais de 25.000 implantações. Possui mais de 30 anos de experiência nesta área.

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